Apesar da queda no fim de semana, o Bitcoin está acima de 22% no acumulado do ano, mas as empresas públicas de mineração listadas na NASDAQ têm lutado para acompanhar o ritmo. A cesta de ações de mineração com peso igual subiu pouco mais de 12% entre 1º de janeiro e 18 de agosto.
Entretanto, esse desempenho aquém mascara uma reversão nos últimos dois meses, quando os mineradores dispararam mais de 46% contra a alta de 11% do Bitcoin, invertendo o spread de desempenho para território positivo em janelas de tempo mais curtas.
A divergência mostra os riscos estruturais nas ações de mineração listadas e os picos concentrados de valorização que aparecem quando as condições se alinham. Entender onde os mineradores ficam para trás e onde sobem demais é importante para avaliar seu papel como proxy de exposição ao Bitcoin.
Ao longo do ano, a dispersão dentro do grupo tem sido extrema. IREN e WULF lideraram com ganhos no acumulado do ano de 101% e 81,5%, respectivamente. Ao mesmo tempo, BTDR caiu 36%, HIVE 23,8% e BITF quase 16%. MARA, tradicionalmente um dos nomes mais líquidos, caiu quase 7%. Essa diferença tão grande de desempenho mostra o quanto os retornos dos mineradores dependem da gestão do balanço, de eventos de financiamento e de especificidades operacionais, e não apenas do desempenho do Bitcoin.
Janelas de tempo mais curtas mostram uma imagem muito diferente. Nos 10 dias que terminaram em 18 de agosto, a cesta de mineradores subiu 17,3% enquanto o Bitcoin caiu 0,5%. O rali foi amplo, com WULF subindo 97%, HUT 22,8%, CIFR 29,2% e BITF 9,3%.
Durante esse período, a ação de preço estável do BTC ilustra como os mineradores podem superar em surtos mesmo quando o ativo subjacente fica estável. Os dados de 30 dias confirmam o efeito: os mineradores subiram 4,8% enquanto o BTC caiu 1,6%, novamente criando um diferencial positivo de mais de seis pontos percentuais.

Esses surtos não são proporcionais em tamanho. WULF e IREN dominam os ganhos recentes, enquanto MARA e CLSK ficam para trás, caindo 17,9% e 22,4% nos últimos 30 dias. Esse desequilíbrio mostra que o rali depende tanto de catalisadores em nível de ações quanto de posicionamento quanto do beta do Bitcoin.
As métricas de risco ilustram ainda como esse desempenho é desigual. Nos últimos 60 dias, vários mineradores exibem comportamento de beta alto segundo o manual: GREE com beta de 1,57, BTDR em 1,44, e MARA em 1,39. Ainda assim, as correlações contam outra história. Apesar de dobrar de preço, WULF apresenta correlação negativa com o Bitcoin no mesmo horizonte. IREN, com alta de mais de 100% no acumulado do ano, também mostra correlação próxima de zero.
Drawdowns reforçam a lacuna estrutural entre mineradores e Bitcoin. A maior queda do BTC em 2025 é de 28%. Em contraste, a maioria dos mineradores sofreu quedas entre 43% e 72%. Mesmo após a recuperação, as cicatrizes da primeira metade permanecem visíveis nas trajetórias de preço. Investidores que avaliam mineradores como um proxy alavancado para o BTC precisam levar em conta esses riscos específicos de ações, especialmente durante fases de consolidação do ativo subjacente.
A cesta de mineradores com peso igual captura bem o retrato geral: ficando atrás do Bitcoin em 7,7 pontos percentuais no acumulado do ano, mas superando-o em 35,6 pontos nos últimos 60 dias. A dependência do caminho é central.
De janeiro a junho, os mineradores passaram por quedas acentuadas à medida que o hashprice se comprimiu, os custos de energia subiram e os balanços absorveram o estresse. O rali inverteu o spread de forma decisiva apenas no fim de junho, mas tarde demais para apagar a lacuna anterior.
Isso significa que os mineradores não são simplesmente Bitcoin alavancado. Eles funcionam como instrumentos de alto beta apenas em janelas selecionadas, enquanto os catalisadores específicos das ações ditam os retornos da maior parte do ano. A gestão de risco com base em suposições simples de beta falha nesse ambiente.
Tempo e seleção de ações tornam-se essenciais: possuir o minerador errado na hora errada significou quedas mais de duas vezes mais profundas que as do Bitcoin, enquanto manter IREN ou WULF significou ganhos de três dígitos.
As ações de mineração podem fornecer convexidade de upside durante fases de mercado fortes e trazer volatilidade do mercado de ações, alavancagem operacional e risco de financiamento. Os dados mostram que a alavancagem funciona nos dois sentidos: o índice com peso igual teve desempenho abaixo do BTC no acumulado do ano, mesmo com uma parcela de nomes entregando valorização excepcional.
O post Altas betas, correlações baixas: mineradores quebram padrões do Bitcoin apareceu pela primeira vez no CryptoSlate.