Os fluxos totais de criptomoedas envolvendo entidades iranianas caíram para US$ 3,7 bilhões entre janeiro e julho de 2025, representando uma queda de 11% em relação ao mesmo período de 2024, de acordo com a nova análise da TRM Labs.
A contração mais acentuada ocorreu após abril, com os fluxos de junho caindo mais de 50% ano a ano, e os volumes de julho caindo mais de 76%.
A TRM afirmou que a desaceleração coincidiu com múltiplos choques: o rompimento das negociações nucleares, um conflito de 12 dias com Israel iniciando em 13 de junho, e cortes de energia generalizados no Irã causados por operações cinéticas e cibernéticas de Israel, bem como desligamentos iniciados pelo regime.
“O que estamos vendo no Irã é um ecossistema sob forte tensão devido a turbulência geopolítica, ações de aplicação da lei e à perda de confiança nas exchanges domésticas”, observa a TRM Labs em sua análise.
Nobitex permanece central, apesar de hack de US$ 90 milhões
Apesar da interrupção, Nobitex, a maior exchange do Irã, continuou a dominar o mercado em 2025. Dados da TRM mostram Nobitex processou mais de 87% do volume de transações ligado ao Irã, com US$ 2 bilhões de seus US$ 3 bilhões em atividade fluindo pela rede TRON, principalmente em TRC-20 USDT e TRX.
No entanto, o papel central do Nobitex também ampliou o risco sistêmico. Em 18 de junho, a plataforma sofreu um hack de US$ 90 milhões atribuído ao grupo pró-Israel Predatory Sparrow.
O incidente congelou liquidez, atrasou o processamento de transações e forçou usuários a migrar temporariamente para plataformas alternativas.
Pesquisadores da TRM observaram que os saques do Nobitex aumentaram 150% na semana que antecedeu o conflito Irã-Israel, à medida que os usuários buscaram locais mais seguros. Muitos desses fundos foram redirecionados para exchanges globais com controles KYC limitados, ou para plataformas de alto risco sem checagens de KYC.
Congelamento do Tether aprofunda a disrupção do mercado
A turbulência de mercado foi intensificada em 2 de julho de 2025, quando o Tether congelou 42 endereços ligados a entidades iranianas — a maior ação desse tipo até o momento.
Mais da metade das carteiras congeladas tinham exposição substancial à Nobitex, com algumas também conectadas a atores ligados ao IRGC (Corpo de Guarda da Revolução Iraniana) previamente sinalizados pelas autoridades israelenses.
“O congelamento do Tether interrompeu canais de liquidação enraizados e forçou usuários varejistas e institucionais a diversificar rapidamente suas estratégias de stablecoins”, disse a TRM Labs.
Em resposta, canais alinhados ao governo e algumas exchanges domésticas pediram aos usuários que dessem alta no USDT e migrassem para o DAI na rede Polygon, citando custos de transação mais baixos e resiliência a congelamentos por sanções.
Atividade ilícita baixa, mas cripto continua a ser ferramenta de sanções
A TRM enfatizou que, embora atores iranianos continuem a usar cripto para evasão de sanções e aquisição de bens sensíveis, a atividade ilícita em exchanges iranianas representou apenas 0,9% do volume total — aproximadamente alinhada com as médias globais.
Os iranianos comuns também estão recorrendo ao cripto como proteção contra a inflação e a instabilidade financeira, apesar da queda de confiança nas plataformas locais. “Para muitos cidadãos comuns, o cripto continua sendo um veículo de poupança indispensável, diante da depreciação da moeda e do acesso limitado ao financiamento internacional”, informou a TRM.
No entanto, o hack de junho revelou questões estruturais mais profundas. A análise da TRM associou fluxos on-chain no Nobitex a um ator ligado ao IRGC, Amir Hossein Nikaeen Ravari, e ao Gaza Now, uma peça sancionada após os ataques a Israel em outubro de 2023. Investigadores também descobriram código do Nobitex projetado para vigilância sem mandado, corroendo ainda mais a confiança pública.
Um ecossistema frágil, mas adaptável
Apesar da contração, a economia cripto do Irã continua a se adaptar sob pressão. A atividade de mineração permanece como fonte principal de renda para Teerã, com a TRM monitorando carteiras anteriormente dormentes ligadas a mineiros de bitcoin movendo fundos para a nova hot wallet da Nobitex após o hack.
Enquanto isso, redes underground como o Novin Verify estão se expandindo, oferecendo IDs falsos e ferramentas de contorno de KYC para usuários sancionados que buscam acesso a plataformas estrangeiras.
A TRM também relatou os primeiros casos documentados de criptomoeda sendo usada para pagar operativos estrangeiros por espionagem, mostrando o papel crescente do cripto no tabuleiro geopolítico do Irã. “Enquanto a confiança nas exchanges domésticas deteriora, os iranianos estão demonstrando agilidade em migrar para novas stablecoins, novas redes e novos métodos de liquidação”, concluiu a TRM Labs. “O ecossistema continua frágil, mas altamente adaptável.”
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